Monday, January 15, 2007

15 de Janeiro – Notícias do Canadá... Será o inferno quente??? É que eu estou no inferno... e está um frio do caraças!!!

É fácil esquecer que o Canadá existe... É um país grande, com atitude de país pequeno: não chateia, não invade, não bombardeia, não faz barulho (embora recentemente tenha aparecido nas notícias por causa de um “serial killer”... mas todos os países têm direito ao seu maluco de vez em quando...)

É sobretudo fácil para o vizinho gigante do sul esquecer-se que há quem viva lá para cima! Sobretudo porque não são muçulmanos, árabes, chineses, parte do “eixo do mal”, nem disputam os mercados petrolíferos (pelo menos não de forma tão forte como os chineses e indianos).

Só que o “gigante adormecido do norte”, às vezes, farta-se de ser ignorado e dá notícias... através do FRIO!!! Esta semana foi novamente “semana do Canadá” no Texas (um pouco como a “semana de Marrocos” no El Corte Inglês”... só que muito mais típica... com o clima certo e tudo!) Ou seja, nova frente fria, blá, blá, temperaturas a baixar 20 e tal graus em dois dias, blá, blá, aviso de tempestade de gelo e neve, blá, blá... O QUÊ??? Tempestade de QUÊ? Isto não fazia parte do contrato... tirem-me daqui!

Como sempre, Houston é o último sítio a comer as bombocas... o que nos dá a sensação de vermos tudo a desenrolar em câmara lenta... Primeiro os estados do midwest a comer porrada, depois Dallas, Austin, os condados dos arredores... e tudo quietinho em Houston a olhar para as imagens do satélite XPTO do Weather Channel (que deve conseguir detectar uma tempestade de gases nos intestinos do Rei de Saturno com duas semanas de antecedência, tal a sofisticação que eles anunciam...) a pensar: “será que é amanhã que acordo e tenho o carro cercado por pinguins e um urso polar ao volante???

E assim foi... neve em Dallas, gelo em Austin, cidades sem electricidade, empresas e escolas fechadas e... uff! O pior passou-nos ao lado mais uma vez!

Mesmo assim tivemos vários dias de temperaturas a rondar os -5ºC, empresas e escolas fechadas, a cidade às moscas... e o camelo a trabalhar! É o que dá ser camelo! Mas garanto-vos uma coisa, estava MESMO FRIO!!! Na primeira noite ainda saí do escritório a pensar ir correr,,, até que pus os pés na rua! Nunca tinha sentido gelo a estalar debaixo dos meus pés ao caminhar na rua! Ainda bem que o complexo de apartamentos tem ginásio!!! E aquecimento nos corredores...

Tudo isto fez-me pensar... há para aí malta a dizer que o inferno é quente... Aliás, o teatro do vaticano vai estrear a “Divina Comédia de Dante”, em que no Inferno, ouve-se música rock e blues, no Purgatório, canto gregoriano, e no Paraíso, música clássica. Cada vez mais chego à conclusão que a Igreja tem de contratar um bom técnico de marketing... assim não vão lá, por favor! A malta quer é curtir! Se disserem à malta mais nova “o pá, vais para o inferno, está lá um calor do caraças, anda tudo nú, ouve-se rock e blues meu; mas se fores para o céu, aquela cena está cheia de malta com asinhas a saltar de nuvem em nuvem, a ouvir música clássica”, está-se mesmo a ver o que a malta escolher... a solução que se parece com uma praia de nudismo nas Caraíbas! Agora, se adaptares a imagem à realidade do Século XXI, e disseres: “é pá, aquela merda do inferno é fria como o caraças, está cheia de gajos e gajas com asas, a saltar de nuvem em nuvem, mas não consegues distinguir os gajos das gajas porque não têm sexo, só se ouve música clássica”, a malta vai escolher o céu... está-se mesmo a ver... mudam-se os tempos, mudam-se as vontades! Está na altura de tanto o Diabo como Deus contratarem um técnico de marketing e um decorador de interiores... vão ver que fará maravilhas pelo negócio! Quem tiver dúvidas, pode vir passar uma “semana do Canadá” ao Texas!

Sunday, January 14, 2007

DVDs e Bond, James Bond!



Habitualmente não tenho grande programa para Domingo. Limito-me a ir tomar o pequeno almoço ao sítio do costume, passear um pouco a pé, e depois ficar em casa a ler ou a escrever para o Blog. No entanto, ultimamente, as coisas têm andado um pouco mais complicadas emocionalmente.

Cada vez sinto mais a falta das minhas meninas ao fim de semana e, sinceramente, já estou farto de ficar em casa... Sobretudo porque ainda não tenho um leitor de DVD (preciso de um que seja multi-regiões para a Carolina –e eu- poder ver os DVDs dela), nem um sofá. Portanto, o melhor que consigo é ver filmes no portátil, sentado no chão, o que já enjoa... sobretudo porque o portátil anda a fazer greve a metade dos DVDs que trouxe (sobretudo aos do Black Adder...o que é um verdadeiro crime!). Até dá vontade de cantar: “era uma casa, muito engraçada, não tinha sofá, não tinha nada. DVD, não tinha não e o rabo sentava-se no chão...”

Enfim, eu encaro isto como treino para fazer uma grande passagem marítima solitária: sem companhia, sem grande conforto, com bastante exercício... Acho que sou capaz de aguentar 2-3 meses a velejar sozinho, desde que tenha email e contacto telefónico com as minhas meninas.
Resumindo a história, embora fosse Domingo, decidi ir novamente ao cinema, desta vez para ver o meu velho amigo “Bond, James Bond”. Já tinha ouvido várias pessoas a queixarem-se do filme, já tinha ouvido críticas positivas, a minha opinião? FABULOSO! Acho que o Daniel Craig faz um papel perfeito, ao nível dos melhores Bonds! A postura do gajo, as piadas, enfim, temos Bond! A cena da tortura é das melhores que vi do 007 nos últimos tempos...

Por outro lado, não vem nada a propósito, mas tenho de deixar de ir ao cinema sozinho... pela quantidade de casais gay que vejo nos cinemas, qualquer dia ainda sou engatado!

Battleship Texas e “Perfume – história de um...”

A seguir ao San Jacinto Monument, atravessei a rua para ir visitar a outra atracção do parque: a “Battleship Texas”. Quando foi lançada à agua, a “Texas” era a maior máquina de guerra do mundo, tendo sido, também, a última das grandes “battleships” a prestar serviço em cenário de guerra, tendo estado presente nas duas Guerras Mundiais.
Hoje em dia, este impressionante navio de guerra está ancorado em Houston como museu flutuante, destinado a explicar como era a vida a bordo de um destes “monstros do mar”. O conceito do museu em si é muito básico, mas extremamente eficaz: as pessoas são livres de passear pelo navio quase todo, estando a maior parte dos compartimentos restaurados e decorados como estariam na altura em que era um navio de guerra, e com manequins que demonstram como era o dia a dia no navio. Escusado será dizer que, não só em cada compartimento existem placas a explicar as actividades que lá decorriam, como também os funcionários do navio têm um conhecimento aprofundado da matéria e não têm problemas em ficarem à conversa connosco o tempo que for necessário para esclarecer dúvidas (como aconteceu comigo).

O navio está, de facto, em excelente condição (como podem ver pelas fotos). O mais impressionante é que a recuperação é feita, em parte, pelos funcionários, mas em grande parte também por voluntários que, em determinados fins de semana, vão ao navio ajudar na restauração. O museu, em si, pertence ao “povo do Texas” (que o comprou à marinha quando esta tencionava abater o navio para sucata), e sobrevive essencialmente de doações, do voluntariado, e das receitas de bilheteira. Curiosamente, este é um modelo que se repete em inúmeros museus por aqui, e não se ouve ninguém a queixar-se da falta de financiamento do Estado...

Regressando ao navio em si, confesso que o que mais me impressionou foi o espaço reduzido em que aquela malta vivia e trabalhava. Basta dizer que, em certas zonas, dormiam 50-60 pessoas num espaço de 4m x 5m, em beliches pendurados no tecto, com 4 camas por beliche! Cada desgraçado tinha cerca de 30 cm entre o seu nariz e o beliche de cima! Isto deveu-se, em parte, ao facto do navio ter sofrido grandes modernizações após a 1ª Grande Guerra, que levaram a que a tripulação aumentasse em cerca de 2000 pessoas! Interessante é também o facto de, já naquela altura, os navios serem autenticas cidades, com padaria, lavandaria, alfaiates, lojas de doces e tabaco, bares que vendiam coca-cola e gelados, estação de correios, etc.

Embora os oficiais vivessem em melhores condições, mesmo assim eu não gostaria de ser oficial... diga-se que a única pessoa que vivia em condições minimamente aceitáveis era o Comandante. É assim mesmo! Comandante, é Comandante! Para terem uma ideia do que é “espaço reduzido”, a Cat Balou, ao lado de alguns daqueles compartimentos, parece um palácio!!!

Se quiserem ver mais informações (e fotos bem giras) da Texas, visitem: http://www.ctomscott.com/Introduction.htm, ou www.tpwd.state.tx.us/park/battlesh/battlesh.htm, ou http://www.usstexasbb35.com/. Garanto-vos que vale a pena!

À noite, decidi ir ao cinema ver o “Perfume”, ou seja, a história de um perfumista que se tornou no organizador da maior orgia do Século XVIII, e acabou comido (literalmente)! He, he... não deixa de ser curioso como um mesmo filme pode ser resumido de formas tão diferentes, e mesmo assim não se estar a mentir ou deturpar a história! O que é preciso é imaginação e... olhar analítico!

Saturday, January 13, 2007

A Batalha de San Jacinto e o nascimento da República do Texas

Mais um Sábado, mais um dia livre para fazer o que me bem apetecer... só que, desta vez, com um ligeiro problema: não me apetecia fazer absolutamente nada! É verdade, cheguei a sexta à noite um pouco deprimido, com saudades das minhas meninas. Para piorar as coisas, fui ver a previsão do estado do tempo e... davam chuva! Pus-me a ler o magnífico “Moon Guide to Texas” (mais uma vez, obrigado Pê!), e não havia nada perto de Houston que me interessasse ver! Bolas! E agora??? Não tinha nada para fazer, não me apetecia fazer uma viagem longa para um sítio mais interessante...

Pensei, que se lixe! Vou tomar o pequeno almoço e logo se decide... Algures a meio do meu croissant e capuccino, lá dei comigo a ler o parágrafo dedicado ao San Jacinto Monument, e a pensar para mim “isto não parece ser nada de jeito”. Mas como não ficava muito longe (cerca de 30 km de Houston), como ficava para um lado da cidade em que nunca tinha estado, e como tinha a ver com a história do Texas, lá me fiz à estrada, embora com pouca convicção.

O San Jacinto Monument é um monumento à batalha decisiva que levou à independência do Texas (do México), e à criação da República do Texas, estado soberano, que durou apenas dez anos antes de ser anexado aos Estados Unidos da América, mas que ainda hoje desperta muitas paixões (ao ponto de alguns notáveis continuarem a assinar os seus documentos como sendo elaborados na “Republic of Texas”. Fisicamente, o monumento parece um pila gigante (de fazer inveja ao Cutileiro), com uma estrela na ponta! Aliás, será mesmo a maior pila do mundo, já que está no Guiness como o monumento de pedra mais alto do mundo! Na base da pila, perdão, do monumento, encontra-se um pequeno museu que relata a história da independência do Texas, e que passa um bom filme dedicado ao mesmo assunto, relatado por esse conhecido mentecapto, o Charlton Heston.

Resumindo um pouco a história da República do Texas, o que se passou foi o seguinte. Depois do Tejas (como então se chamava) ter passado a integrar o México (algum tempo depois da Espanha ter ficado com o território que havia pertencido à França, e do próprio México ter obtido a independência da Espanha...), os hermanos Mexicanos depararam-se com um problemazito... ninguém queria habitar aquela região inóspita. Os descendentes dos espanhóis achavam-se demasiado finos, e aquela trampa estava cheia de índios, foras de lei, cobras, lagartos, cactos, etc. A solução acabou por ser uma série de moços de origem europeia (Checos, Alemães, etc.) e Norte Americana, que decidiram pedir concessões de terrenos aos mexicanos para povoarem o Tejas. Os mexicanos, como estavam desesperados, lá acederam, e várias pessoas que depois se vieram a tornar famosas trataram de fundar colónias e de trazer americanos e europeus para habitar a zona.

Acontece que, a certa altura, um tal de General Santa-Ana, Presidente-Ditador do México apercebeu-se que havia mais não-mexicanos no Tejas, do que mexicanos... um ligeiro problema... E como essa situação ameaçava a integridade territorial do seu país, decidiu juntar a província do Tejas à província de Coahuila (maioritariamente hispânica), formando uma nova província de Coahuila y Tejas, atribuindo a maior parte do poder político a Coahuila. Seguiu-se a revogação da constituição liberal, a adopção de um modelo centralista o que, resumindo as coisas mais uma vez, chateou os moços americanos e europeus que decidiram que não iam aturar aquilo, e decidiram declarar a independência! Ou, visto de outro ponto de vista, roubar uma parcela de território a um Estado soberano (mais ou menos como os Albaneses decidiram fazer no Kosovo com o apoio dos... americanos! Curioso...).

podem calcular, o moço Santa-Ana não achou lá muita piada, e decidiu marchar sobre o Tejas com um exército de 3000 e tal macacos, bem equipados e treinados, para esmagar o exército improvisado da auto-proclamada “Republic of Texas”, liderada por Sam Houston. Como seria de prever, o exército Texano foi levando enxerto de porrada atrás de enxerto de porrada (o mais famoso dos quais foi o que receberam na Batalha do Alamo, e que levou a que todo o exército Texano dentro do forte fosse massacrado). E assim chegamos a um belo dia, nos arredores do que é hoje em dia Houston, em que o General com o mesmo nome descobre que o Santa-Ana se dirigia para a localidade de San Jacinto com apenas 700 homens. Encontrando-se pela primeira vez na vida em superioridade numérica, Houston decide deixar de fugir (actividade na qual se tinha tornado especialista, para desespero dos seus homens) e atacar Santa-Ana, nas margens do Buffalo Bayou. Para tornar as coisas mais interessantes ainda, o idiota do Santa-Ana, contra as indicações dos seus comandantes, decide mudar a posição do seu acampamento para uma parcela de terreno onde ficariam: 1) numa posição em que não conseguiam ver o inimigo, 2) de costas para o rio, 3) cercados por pântanos... portanto, uma decisão estratégica muito inteligente.

Como se as coisas não estivessem suficientemente más, ainda decidiu mandar os seus homens dormir (tinham chegado cerca de 500 reforços que estavam muito cansados da marcha forçada), porque os Texanos de certeza que não iam atacar naquele dia... dito e feito, está-se mesmo a ver o que aconteceu... o Houston decidiu atacar (curiosamente contra as indicações dos seus comandantes). Os Mexicanos foram, verdadeiramente, apanhados com as calças em baixo, e levaram uma tamanha coça que a batalha de San Jacinto durou apenas 20 minutos, com menos de 10 Texanos mortos, contra 630 mortes Mexicanas, 208 feridos, e 730 prisioneiros, entre eles o próprio Santa-Ana! Claro está que o Santa-Ana sentiu-se na obrigação de ser simpático e assinar um tratado de paz com o Texas.

No entanto, parece que quem não gostou da brincadeira foi o Parlamento Mexicano, que nunca aceitou a independência da nova República do Texas. Assim sendo, quando ao fim de 10 anos de independência o Texas decidiu pela anexação aos Estados Unidos da América, estalou a guerra México-EUA, que terminou com uma vitória avassaladoura dos EUA, e a conquista ao México de 1/3 do actual território dos Estados Unidos, nomeadamente os territórios que dão para o Oceano Pacífico!!! Dá vontade de perguntar “como é que seria o equilíbrio de forças na região se, em finais do Século XIX, os EUA não tivessem ganho a guerra com o México e conquistado essa fatia toda de território???

Para acabar a minha passagem pelo monumento, decidi tirar mais umas fotos artísticas, o que levou a que fosse comido vivo por centenas de mosquitos verdes (verdadeiramente enormes e assustadores) que tinham decidido vir celebrar os 27ºC e tempo de chuva para junto do monumento... Também não ajuda o facto do dito pirilau estar rodeado de relva e situado junto ao raio do rio! Fui forçado a reconstituir uma pequena Batalha de San Jacinto, chacinando uma porrada de mosquitos! Quem quiser saber mais informações sobre a Batalha e a independência do Texas, pode ir a http://www.sanjacinto-museum.org/ , ou a http://en.wikipedia.org/wiki/Texas_Revolution. Vale a pena!

Já que falamos de guerra, relembremos o que cantam os Dire Straits:
Brothers in arms

These mist covered mountains
Are a home now for me
But my home is the lowlands
And always will be
Some day you'll return to
Your valleys and your farms
And you'll no longer burn
To be brothers in arms
Through these fields of destruction
Baptisms of fire
I've watched all your suffering
As the battles raged higher
And though they did hurt me so bad
In the fear and alarm
You did not desert me
My brothers in arms
There's so many different worlds
So many different suns
And we have just one world
But we live in different ones
Now the sun's gone to hell
And the moon's riding high
Let me bid you farewell
Every man has to die
But it's written in the starlight
And every line on your palm
We're fools to make war
On our brothers in arms

The man’s too strong

I'm just and ageing drummer boy
And in the wars I used to play
And I've called the tune
To many a torture session
Now they say I am a war criminal
And I'm fading away
Father please hear my confession
I have legalised robbery
Called it a belief
I have run with the money
And hid like a thief
I have re-written history
With my armies and my crooks
Invented memories
I did burn all the books
And I can still hear his laughter
And I can still hear his song
The man's too big
The man's too strong
Well I have tried to be meek
And I have tried to be mild
But I spat like a woman
And sulked like a child
I have lived behind walls
That have made me alone
Striven for peace
Which I have never known
And I can still hear his laughter
And I can still hear his song
The man's too big
The man's too strong
Well the sun rose on the courtyard
And they all did hear him say
'You always were a Judas
But I got you anyway
You may have got your silver
But I swear upon my life
Your sister gave me diamonds
And I gave them to your wife
'Oh father please help me
For I have done wrong
The man's too big
The man's too strong

Wednesday, January 10, 2007


Vícios, barcos, canas de pesca, e... cowboys???

Hoje decidi cometer várias loucuras! É verdade, eu que andava todo atinadinho e, de um momento para o outro, decidi visitar aquele antro do vício que dá pelo nome de “Houston Boat Show”!

Cada maluco com a sua mania, cada agarrado com o seu vício... há os viciados em droga, em tabaco, em chocolates, enfim, há mil e uma possibilidades. Eu ao menos sou viciado em coisas minimamente saudáveis... pelo menos para o corpo, se não para a carteira. Mas é verdade, a vida está cheia de vícios, e um dos meus são os veleiros, portanto nada melhor do que sair do trabalho e dirigir-me ao tal “Boat Show” para vasculhar as novidades do mercado e, sobretudo, comparar os modelos americanos com o que habitualmente se vê pelos salões e mares da Europa.

Embora anunciasse mais de 1000 barcos em exibição, o “Boat Show”, infelizmente como a maior parte dos salões náuticos, conta com algo como 970 barcos a motor, e uns míseros 30 exemplares movidos a vela, dos quais só cerca de 20 é que se podem classificar de verdadeiramente interessantes (ou seja, acima de 20 pés). A sorte é que dá para ver os veleiros (devido à altura) e, portanto, um gajo não tem de ver as novecentas e tal banheiras poluentes e ruidosas para chegar ao que verdadeiramente interessa! Por mero acaso, a minha visita começou logo por um “Hunter 25” que, supostamente, seria um concorrente da minha “Cat Balou”. O Hunter, novinho em folha, com atrelado, fica ao dobro do preço do Cat, o que não é mau para um barco novo. Aliás, o 25 está pensado como um bom veleiro de cruzeiro para principiantes. Como pontos a favor, a roda do leme, o bimini (cobertura para o poço que protege os ocupantes do sol), e os assentos no corrimão da popa, três aspectos que dão uma habitabilidade muito boa ao Hunter, e que são raríssimos (enquanto opção base) na Europa em barcos inferiores a 30 pés. Apesar desta vantagens, o interior do Hunter pareceu-me mais acanhado e mais pobre do que o Cat.

No mesmo campo dos 25 pés, visitei uma verdadeira desilusão, o Catalina 250. Demasiado baixo (não se consegue estar em pé lá dentro sem sermos forçados a dobrar o pescoço todo), demasiado estreito, e demasiado plástico. Como ponto positivo, os assentos na popa (um “must” em qualquer veleiro americano). Modelo interessante da Catalina é o 320, que me pareceu capaz de rivalizar com os modelos europeus, sobretudo devido ao seu interior que transmite uma sensação de espaço e luz. Parece que o “bicho” foi recentemente remodelado, e bem remodelado!

O passo seguinte foi a visita aos dois Beneteaus que estavam em exibição, o 423 (com um casco verde magnífico) e o 49... Enfim, viva o luxo! Os interiores destes dois brinquedos são verdadeiramente fabulosos: autênticas casas flutuantes, cheios de estilo, e cheios de luz: parece que as janelas (sim, os barcos podem e devem ter “janelas”, como ensina o Amyr Klink) grandes são uma das principais características dos modelos mais recentes! O exterior também dá asas à imaginação... é indiscritível o que senti em frente do leme destes dois brinquedos, a olhar para a proa! É verdade, a vela é como a droga ou qualquer outro vício, quanto mais se tem, mais se quer!!! Depois de ter dito inúmeras vezes que jamais quereria um barco daquele tamanho, cá estava eu a sonhar estar ao leme dum daqueles monstros, rodeado da família e dos amigos... enfim, delírios de pateta sonhador...

Nas visitas seguintes caí novamente em mim! De facto, como eu e o Nuno já tínhamos chegado à conclusão durante a Nauticampo 2006, o ideal são 30-33 pés. É o tamanho ideal para sair confortavelmente com até 6 pessoas a bordo, passar um fim de semana ou férias curtas. Tudo o que seja maior é óptimo para viver a bordo a reforma, ou para atravessar oceanos e dar a volta ao mundo, mas grande demais para o dia-a-dia de quem ainda (infelizmente) tem de estar preso a terra pelo trabalho. Dentro deste tamanho, gostei particularmente dos modelos da Hunter (o 31 e o 33). Barcos muito equilibrados, com muito conforto interior e exterior, e com mariquices que não se vêem na Europa, tais como Plasmas e DVDs, ar condicionado, chuveiros com cabine, interiores das casas de banho parcialmente em madeira, biminis de série, roda do leme de série em todos os modelos, assentos no corrimão da popa, enfim, outro conforto!

Segundo os vendedores, esta forma de encarar os barcos tem a ver com o facto de os veleiros, nos Estados Unidos, serem verdadeiramente “brinquedos” de família. É que nos EUA, os barcos são, na generalidade, um projecto do casal, ou seja, tanto o marido como a mulher velejam, enquanto na Europa a tendência é para ser o marido a velejar, e a mulher a fazer companhia ou, quando as viagens implicam algum tempo no mar, a ir lá ter de avião. São mentalidades e formas diferentes de encarar a vela, e que levam a diferenças grandes nos modelos de um continente para o outro: até os Beneteaus feitos nos EUA são diferentes dos europeus.

Para terminar a minha descrição do salão, não posso deixar de falar das inúmeras canas de pesca, barcos dedicados à dita actividade e cowboys... sim, é verdade, foi a maior concentração de cowboys a que assisti desde que estou em Houston (e o rodeo é só para o mês que vem...). Como isto é um estado muito “macho”, a malta gosta de pesca! Portanto, o raio do salão está recheado de canas, coletes e outros apetrechos para a pesca! E chapéus de cowboy, e cowboys, a única desilusão foi não haver caçadeiras, metralhadoras, granadas e outros apetrechos típicos da malta que gosta dos “outdoors” (ou pelo menos que eu associo a esses seres cá por estas paragens). Eu que estava à espera que me oferecessem uma espingarda com o bilhete, e afinal só ganhei uma subscrição a uma revista de vela...

Deixo-vos com uma breve história contada pelo meu instrutor de vela (um verdadeiro castiço texano, que aparecia para as aulas com calções azuis da nike quase pelo joelho, t-shirt branca, meia branca e sapatos de vela...). Parece que ele tem um amigo que tem a mania que é todo macho, e que gostava de dizer que o John (o meu instrutor) era uma “menina”, porque a vela é desporto de meninas, enquanto que a pesca é que é desporto de macho... Consta que um dia, diante de um grupo de amigos, o tal “macho” terá iniciado a sua lenga-lenga, até que o John lhe perguntou (em texano), “ouve lá, quando estão 25 nós de vento, chuva, ondas de 2 metros, onde é que tu estás?” Ao que o outro terá respondido, “estás parvo, estou em casa sentado no sofá!”. O John então terá respondido, “ai é... olha, eu estou no meio do Golfo do México a divertir-me à brava!!!” Pois é meus amigos!!! E querem saber mais... é como a droga... quanto mais vento, mais chuva, mais água salgada a saltar para a cara... MELHOR É A SENSAÇÃO!

Ficam com umas fotos dalguns dos interiores que eu mais apreciei, e de um verdadeiro “cowboy”... certamente pescador, certamente macho... e certamente que fica em casa quando chove e está vento! Eu vou dormir... e sonhar com cascos verdes... 40 e tal pés... sal e vento na cara... oceanos, golfinhos e tartarugas gigantes... e a Tânia a chamar-me maluco! He, he! Nuno, vai poupando dinheiro... "the world's oceans shall be our playground!"

Monday, January 08, 2007

Timor Cartoon, sempre em grande!

A situação política e social continua um pouco incerta, e o magnífico autor do http://timorcartoon.blogspot.com/ continua em grande! Decidi “roubar” mais dois cartoons para o vosso divertimento... e para se esquecerem que, lá no fundo, também têm medo do escuro!



Acendam as luzes... tenho medo do escuro!

Quem é que não tem medo do escuro??? Sinceramente, deixem-se de tretas e de pensamentos esquematizados tipo “só as crianças é que têm medo do escuro... eu sou muito adulto para isso!” É verdade, o escuro é um dos primeiros medos que as crianças têm (Tanocas, corrige-me se estou errado), e os adultos passam tempos e tempos a tranquilizá-las, a espreitarem debaixo da cama com elas, dentro dos armários, para provar que não há lá nada. E depois... vencem-se os traumas e medos, ou esquecem-se apenas, para nos assaltarem mais tarde, quando menos esperamos? Eu falo por mim, quantas vezes não acordo sobressaltado a meio da noite, a dar pontapés no ar, porque sonhei que estava algo no escuro a olhar para mim... ou será que sonhei?

Esta reflexão não vem do nada. A verdade é que hoje, quando cheguei a casa, decidi que iria dar uma corrida, apesar de estar estoirado, dorido, com uma crise alérgica desgraçada, e estarem 6 graus na rua. Decidi, como tantas outras vezes ao longo da minha vida, que as dores e as alergias passariam se fosse suar! Então tomei a decisão, finalmente, de mudar de sítio de corrida, e ir para o parque que fica em frente à minha casa (Bayou Park). Sim, porque a ideia de ter de conduzir 10 minutos para ir correr para o Memorial Park não me estimulava muito hoje...

Dito e feito, atravessei a rua e comecei a correr. O Bayou Park é um parque delicioso para passear durante o dia, cheio de árvores e esculturas, que corre junto às margens do Buffalo Bayou (o tal rio que atravessa Houston) e que, durante o dia, está cheio de malta a correr a todas as horas (até ao meio dia ao dia de semana). Acontece que, à noite (e ao contrário do Memorial Park) está completamente deserto, e tem pouca luz... Ora, o bom do Ricardo, armado em campeão (muito adulto) fez-se ao parque e foi correr, junto à estrada, verdade seja dita, porque tinha mais iluminação, mas aventurou-se para o parque, ainda por cima a ouvir música no MP3.

A certa altura dei comigo a pensar “o que é que estás a fazer ó seu idiota???” A correr num sítio destes, deserto, escuro, à noite... e se te acontece alguma coisa? E se salta algum maluco das árvores e dá-te um ripada? E se tens um ataque de asma e cais para o lado? Ao menos no Memorial Park há luz, e sempre mais umas centenas de pessoas a correrem ao mesmo tempo que tu. Daí a começar a ficar paranóico foi uma questão de segundos! De facto, o medo irracional do desconhecido é uma coisa maravilhosa! O parque estava completamente deserto, e eu a imaginar que poderia estar algum maluco à minha espera para me fazer mal (filmes a mais...). A verdade é que acelerei o passo (e o ritmo cardíaco) e consegui fazer 35 minutos ida e volta até downtown (o que a caminhar demoraria mais do que uma hora!). Também é verdade que não era essa a intenção, mas sim correr devagar para queimar gordura, mas que se lixe!

Para tornar as coisas piores, tive de passar por baixo de não sei quantos viadutos sem luz, correr em parte da via rápida porque fiquei sem passeio, encher-me de lama porque para correr mais perto da estrada tive de sair do caminho, enfim, uma aventura. No meio disto tudo, fiz um registo mental: “pensa melhor antes de escolheres o sítio para onde vais correr e, acima de tudo, estudo o percurso primeiro seu idiota!” Para a próxima vou para o Memorial Park...

Tudo isto levou-me a pensar no medo do escuro e, durante quase toda a corrida, a remoer na cabeça uma velhinha música dos Iron Maiden... vejam lá se se lembram, se gostam, ou se se identificam com ela... eu sei que sim! Não deixa de ser curioso que partilhamos os mesmos medos dos homens das cavernas...

Fear of the Dark
Iron Maiden

I am a man who walks alone
And when I’m walking a dark road
At night or strolling through the park
When the light begins to change
I sometimes feel a little strange
A little anxious when its dark

Fear of the dark, fear of the dark
I have a constant fear that someone’s always near
Fear of the dark, fear of the dark
I have a phobia that someone’s always there

Have you run your fingers down the wall
And have you felt your neck skin crawl
When you’re searching for the light?
Sometimes when you’re scared to take a look
At the corner of the room
You’ve sensed that something’s watching you
Have you ever been alone at night
Thought you heard footsteps behind
And turned around and no ones there?
And as you quicken up your pace
You find it hard to look again
Because you’re sure there’s someone there

Watching horror films the night before
Debating witches and folklore
The unknown troubles on your mind
Maybe your mind is playing tricks
You sense and suddenly eyes fix
On dancing shadows from behind

Fear of the dark, fear of the dark
I have a constant fear that someone’s always near
Fear of the dark, fear of the dark
I have a phobia that someone’s always there

When I’m walking a dark road
I am a man who walks alone

Sunday, January 07, 2007

Já sou navegador encartado!

Pois é, esta é a grande novidade deste fim de semana! Passei no meu exame da “American Sailing Association” e, consequentemente, já posso andar por aí a abalroar pontões e a apanhar linhas de pesca de pescadores distraídos!

E tudo isto saiu-me a uns míseros USD$200, e dois dias de curso, o que, quando comparado com as infindáveis noites passadas numa sala de aula e os 600 e tal € que paguei pela carta de Patrão Local, até foi um bom negócio! Por outro lado, as 12 horas passadas no mar deram para adquirir novos conhecimentos práticos, sempre importantes, dado que, em Portugal, continua a entender-se que é melhor saber identificar todas as partes de um navio da marinha mercante, do que saber velejar... enfim, mentalidades diferentes!

No meu caso, a experiência foi ainda melhor, já que consegui “cravar” mais uma aula de mar ao instrutor. Aliás, não foi bem “cravar”, o que se passou é que, como eu tinha feito a minha primeira aula no Sábado (em Novembro), e depois tinha sido chutado para Timor no Domingo, perguntei aos moços se podia repetir a aula de Sábado e eles, à boa maneira Texana, disseram “se quiseres estás à vontade, teremos muito prazer.” Dito e feito, mais seis horas num barquito à vela, mais umas horitas de felicidade para este desgraçado só e abandonado no “far west”.

Curiosamente, reencontrei dois colegas meus do primeiro curso que aproveitaram o Sábado para sair com a malta que estava a fazer o curso (mais uma facilidade que a escola dá e que seria impensável em Portugal). Achei interessante o facto dos meus “compinchas” me terem confessado que o teste não era difícil, e que até a “maluca” tinha passado (a maluca era uma senhora, com cerca de setenta anos, que não só estava a fazer o curso connosco, mas tinha entendido que seria divertido fazer um curso de “Sunfish” –um barquito que parece uma prancha de surf em ponto pequeno com uma vela, anda a uma velocidade estonteante, exige bastante agilidade, e atira os ocupantes para o mar com muita frequência). Diga-se de passagem que não tinha nada contra a “maluca”, mas o facto de alguém que, como diriam os meus amigos australianos, “couldn’t find her own arse with two hands”, ter passado no curso, deixava-me um pouco mais à vontade.

A verdade é que nada podia preparar-me para o que encontrei no dia seguinte... O Exame, se é que lhe podemos chamar verdadeiramente isso, consistia num enunciado com 130 perguntas, que deveriam ser concluídas em uma hora e meia. As perguntas seguiam o conhecido modelo de “teste americano”, ou “teste de cruzinhas”, mas com uma particularidade interessante... Como alguns saberão, os “testes de cruzinhas” na Europa são muito contestados por serem demasiado fáceis, e possibilitarem ao aluno atirar uma resposta ao ar tendo sempre a hipótese de acertar, mesmo que não saiba a resposta. Ora, o verdadeiro “teste americano” é muito mais delicioso do que isso! Pois é, enquanto que o “teste de cruzinhas” europeu tem uma pergunta com três ou quatro respostas possíveis, o modelo do “teste americano” tem quatro perguntas com quatro respostas possíveis que só podem ser usadas uma única vez em cada grupo. Ou seja, mesmo que não tenhas a mínima ideia de uma das respostas, basta responderes às outras para descobrires a resposta por exclusão de partes! MAGNÍFICO! Por isso é que o Bush tem um MBA!!! Também quero!

Resumindo e concluindo, ao fim de cerca de 35 minutos de risota total tinha respondido às minhas 130 perguntas. Quando chegou à altura da correcção o moço que estava antes de mim foi congratulado por ter acertado em 95 respostas... Quando foi a minha vez, o instrutor ficou espantado por eu ter acertado em 129 das 130 (falhei a merda da penúltima pergunta sobre luzes... mais ou menos a mesma que falhei no meu exame de patrão local... deve ser um acto falhado). O instrutor ficou com a boca aberta a olhar para mim, e eu tive de entrar no jogo e dizer-lhe que o exame era difícil e que eu tinha estudado imenso (3 horas de véspera e mais uns pozinhos no avião...). Coitado, era muito boa pessoa, e se eu lhe revelasse que o teste era cagativo, e que a estrutura das perguntas permitia a qualquer gajo que não soubesse as respostas todas (mas tivesse um cérebro ligeiramente mais evoluído do que um cágado) acertar à mesma, seria destruir o mito de uma vida inteira a leccionar.

Portanto encartado e feliz, fui para casa com um sorriso na cara. Para tornar as coisas ainda mais interessantes, está a decorrer o “Houston Boat Show” e já combinei com um dos meus “compinchas” do primeiro curso (um dos Árabes... estou mesmo a habilitar-me) ir lá dar uma vista de olhos na terça-feira à noite! “When I was a young boy... I wanted to sail ‘round the world...”

Thursday, January 04, 2007

Mais um voo, mais uma volta... De regresso ao carrossel!

Após um merecido descanso, e duas semanas e meia de alegria constante proporcionada pelo convívio com a família e pelas traquinices da Carolina, toca de enfiarem-me novamente num avião a caminho da terra do tio Sam. Mais uma vez, sem poder levar as minhas pequeninas comigo... a merda do visto nunca mais está resolvido! Ao menos, ao que tudo indica, desta vez será só por um mês. Mais uma vez o meu querido papá levou-me ao aeroporto a horas indecentes, e mais uma vez safei-me das filas do check in por ter feito o meu via net! Bendita tecnologia! Aliás, a única outra pessoa que conheço e que estava acordada àquelas horas (para além de eu e o meu pai) era o Nuno (grande marinheiro de gabarito internacional e co-tripulante do Cat Balou) que tinha entrado ao serviço no aeroporto às 5:30 da manhã (não te invejo companheiro), e que veio fazer-nos companhia uns minutos antes de eu entrar para a área de embarque.

Neste voo, para além de mahjong, dediquei-me (enquanto a pachorra durou) a estudar para o meu exame de vela, que vou ter de fazer este fim de semana em Houston. Para os que não sabem a história, em vez de tentar o reconhecimento do meu curso de Patrão Local nos EUA, eu decidi tirar o equivalente localmente, já que, calculo: deve ser bem mais rápido, dar menos chatices, ser mais proveitoso pois permite-me navegar em águas que são desconhecidas para mim com pessoas que as conhecem. Por outro lado, os cursos aqui não são caros, sempre consigo umas oportunidades para ir velejando, e vou-me familiarizando com a terminologia náutica anglo-saxónica (embora as minhas leituras já me tenham ajudado bastante neste capítulo).

Estava eu a ler a matéria para o exame enquanto esperava pelo meu voo de ligação no aeroporto CDG em Paris, quando descobri uma coisa maravilhosa... Eu devo ser um terrorista! Sim, não me bastava o novo acordo celebrado entre os Estados Unidos e a União Europeia (representada por esse grande Presidente da Comissão, Durão “Burroso”) e que admite que todos os europeus são terroristas até prova em contrário (permitindo aos EUA vasculharem as nossas contas de email, cartões de crédito, etc.), ainda fui deparar com vários outros indícios de que sou um desses seres maléficos. Um dos elementos de estudo para o curso é um panfleto da US Coast Guard, com indicações para os velejadores de como podem ajudar a manter a “Homeland Security”. Entre as recomendações, os moços sugerem que se participe às autoridades sempre que se assista a qualquer das seguintes actividades: pessoas “suspeitas” que estejam a navegar junto de pontes, docas e marinas: que estejam a tirar fotografias ou filmar esses locais; que andem devagar junto a esses locais; que andem a velejar ao cair da noite, etc.

Ora, considerando que eu tenho andado a velejar junto a pontes, marinas e docas, tenho andado a tirar fotografias desses locais, tenho andado a velejar até ao por do sol, tirei o curso com dois árabes, costumo velejar com alguém que trabalha num aeroporto, estive recentemente em Bali, e, ainda por cima, SOU EUROPEU... só posso ser um terrorista!!! Prendam-me se faz favor! Cambada de paranóicos patéticos!

A coisa tornou-se ainda pior quando cheguei ao “George Bush Intercontinental Airport Houston” (não estou a gozar, o aeroporto tem mesmo o nome do papá do idiota). Assisti a uma das cenas mais ridículas e chocantes desde que cá estou: no avião em que viajei viajavam um casal muçulmano com uma miudinha de cerca de 5 anos, cuja mãe usava um lenço na cabeça. Como podem calcular, enquanto as outras pessoas demoravam 2 minutos no controle de passaportes, estes desgraçados demoraram cerca de 15 minutos, findos os quais foram escoltados por seguranças armados para outro local qualquer do aeroporto... linda imagem que a criança vai ficar desta nação “livre e democrática”. É aquela instituição tão justa a que chamam “racial profiling” no seu melhor, e que não passa de uma forma sofisticada de dizer “racismo” e “discriminação”!

Tuesday, January 02, 2007

Prenda do mano!

Este “post” é uma oferta do Pedro, meu querido irmão, que ainda consegue estar mais longe da Europa do que eu. Pois é, o mano, enquanto se divertia a ver as novidades deste Blog, decidiu pegar num dos textos, e passá-lo pelo babelfish, o motor de traduções do altavista. Espero que gostem do resultado da tradução do “post” do dia 7 de Dezembro para inglês! O mais divertido disto tudo é que há quem use este tipo de sites na internet para fazer traduções que depois tentam vender aos clientes... confesso que essa atitude verdadeiramente desonesta, idiota e louca tem-me proporcionado alguns dos momentos mais hilariantes da minha vida profissional, e também alguns dos mais penosos, já que tentar fazer sentido de algumas dessas “traduções” até dói!
Eu gostei particularmente da tradução de "lá no fundo"... "back in the deep one"!!! LOL

“It is NATALI!Light and luzinhas... the city is full of light and luzinhas! It was not native, "the season you be jolly, la, la, la, la, la..."
As everything in this cantinho of the world, the things go appearing devagarinho... Most intent they go detecting the first signals (in mine in case that rolling of luzinhas teeny to the return of the trees in the park in front of the City council), later, of one day for the other, ZÁS! Already it is, the city seems a Christmas tree!
I already had repaired in the such luzinhas in the trees, in the illuminated deer in front to the building of the office, in the giant trees of Christmas and the crowns, in the houses decorated with a thousand and a light in the gardens, to make to more remember to the houses bimbas of Portugal (by the way, he is in contrast, are the houses bimbas of Portugal that imitate the American houses bimbas), but nothing he could prepare me for what I found this night when I left the elevator of the office... Badly the doors had confided heard a strident sound of German voices to sing those typical musics of the Alps ("yodles")! As when the things are bad, alone they can get worse (law of Murphy), I came across myself with one without number of youngsters, raparigas and adults, blond, dresses with shimstocks, suspensórios, and other clothes equally ridicule, to dance of form to touch with the hands in the feet while they cried out "ololé, ololé, ololé, iu..."
For moments I had the sensation that we were to be invaded by the Germans who had come to complain the Texas, after having practically been the responsible ones for having stolen the territory the Mexicans (the lesson of complete history is for another occasion)! ACHTUNG DEUTSCHLAND! Until I shot myself for the soil and I asked for reinforcements to the army! Later I remembered to have seen any thing on the reconstitution of a German Christmas in a poster any. Also I remembered to have seen one gentlemen of morning and to the hour of ones the lunch to mount casinhas type "casinhas of the Alps".
Back in the deep one, I had penalty to be with haste and not to have had time to investigate more (a medal of the Congress for counterespionage services could until having profit). I was to laugh me the way all... The Americans only stop in half dozen of hours converting the entry hall of a building into German village...
More impressive he is that, in the following day of morning, when went to investigate better, he had all missing person! The building was such and which had been in the previous days...It will have been a dream? It will have been an attempt of failed and sultry invasion? Certainly it is a case for the X-FILES! Mulder... "

Sunday, December 31, 2006

Fim de (mais um) Ano!

Mais um ano que passa, mais um que fica para trás, menos um ano para a reforma! Ao menos um pensamento alegre!

Este fim de ano começou por ser uma festa grande, acabou por ser uma festa pequena (devido às desistências), mas foi uma grande festa! A Birra é, de facto, um cenário de eleição para passar o fim de ano, até tivemos direito a um espectáculo de fogo de artifício prolongado, já que todas as casas à volta estavam a lançar fogo de artifício e foguetes que nunca mais acabavam (deve ter durado, à vontade, uns 10 minutos).

Momentos altos da noite: o convívio com amigos e família, a Carolina a correr atrás da Topsy a tentar dar-lhe um beijinho no focinho enquanto a cadela fugia (!), o jogo de setas, eu a cantar Blink 182 (eu sou suspeito...), as pessoas a evacuarem as redondezas enquanto eu cantava, os jogos de Carcassone, o momento em que adormeci em pé (para gozo dos que ainda me acompanhavam àquela hora da madrugada), enfim... a idade não perdoa!





Saturday, December 30, 2006


“Operação peixe cru”

30 de Dezembro, dia de anos da minha pequenina maior! Este ano decidimos fazer algo diferente e verdadeiramente arrojado... Decidimos juntar à mesa de um restaurante 17 pessoas... o que pode parecer-vos algo perfeitamente normal para fazer num dia de anos... mas a coisa torna-se diferente e arrojada se acrescentarmos um ligeiro pormenor... a esmagadora maioria das 17 pessoas (exclusão feita a mim, à Tânia, e a duas ou três outras pessoas) nunca tinham provado sushi e, aproveito para dizê-lo, penso que até tinham alguns preconceitos em relação à ideia de comer peixe cru!

A verdade é que o almoço (pelo menos a nosso ver) foi um sucesso! As pessoas comeram, gostaram (pelo menos não houve rebelião), e o ambiente esteve magnífico durante todo o almoço. É verdade que o local (o Sushi Rio, ao lado da Portugália, na Rua da Cintura do Porto de Lisboa) ajudou muito. Desde já um grande obrigado ao Gonçalo (GSM), grande guru do sushi, por me ter indicado este cantinho tão agradável!

Pelo sim, pelo não, e antes que as pessoas mudassem de ideias e decidissem processar-me, decidi marcar a minha viagem de regresso a Houston para mais cedo do que o previsto... estou a gozar!

Parabéns a todos os que estiveram presentes: pela coragem em experimentar algo novo, pelo bom comportamento, pelo momento maravilhoso que proporcionaram à Tânia, pelo facto de não me terem espancado!

Tuesday, December 26, 2006

Dia da Cat Balou

[Só uma nota para esclarecer a escolha do género feminino em detrimento do masculino habitual na língua portuguesa: os anglo-saxónicos referem-se (e bem!) aos barcos como “she”, entendendo que se tratam de fêmeas. Eu, pessoalmente, não posso deixar de concordar! Os barcos despertam paixões, roubam tempo e dinheiro aos homens, conduzem as respectivas famílias ao desespero... portanto, são verdadeiras amantes, GAJAS! Por isso, aquele buraco no mar onde eu enterro o meu dinheiro será daqui em diante, oficialmente, uma gaja, a Cat Balou!]

Este Natal, decidi oferecer uma prenda à Cat Balou! Ela tem estado tão abandonada e só desde a minha ida para Houston, que até parecia mal não lhe fazer uma visita, levá-la a passear, e depois dar-lhe um bom banho! E foi assim que a tripulação habitual da Cat Balou (eu e o Nuno), nos encontrámos para ir dar um passeio no dia 26 de Dezembro, enquanto as respectivas (as “gajas” oficiais), foram ao cinema e às compras, provavelmente dizer mal dos respectivos gajos que tinham ido sair com a amante...

O dia estava magnífico, cheio de sol, vento de aproximadamente 10 nós, e mar completamente chão. Um belo dia para passear no Tejo, esse rio tão especial que me corta a respiração sempre que sobrevoo Lisboa. É curioso, mas sou incapaz de descrever as sensações que sinto a velejar no Tejo... Como por vezes dou por mim a dizer (para irritação de alguns), “há coisas que só quem anda no mar pode compreender!” Há sensações que não se descrevem, vivem-se! Se um barco é uma amante, o Tejo é uma sereia que chama os homens para a eterna perdição... quem me dera velejar, velejar para sempre, partir em direcção a Oeste, em direcção ao pôr do sol, deixando a Torre de Belém e a Ponte para trás... Este chamamento deve ser o mesmo que os grandes navegadores sentiam ao saírem para os Descobrimentos... ou se calhar é apenas a visão de um romântico, enquanto os navegadores diziam para as suas barbas “merda, lá está o Rei com as suas ideias parvas... espero regressar com vida desta vez!”

Desta vez eu e o Nuno conseguimos regressar a horas decentes (para os amantes de terra firme), e poupar as respectivas famílias a ataques de maior... Já que não consigo descrever a sensação de velejar no Tejo, deixo-vos duas músicas:

O Tejo
Madredeus

Madrugada,
Descobre-me o rio
que atravesso tanto
para nada,

E este encanto,
prende por um fio,
é a testemunha do que eu sei dizer.

E a cidade,
chamam-lhe Lisboa,
mas é só o rio
que é verdade,
só o rio,
é a casa de água,
casa da cidade em que vim nascer.

Tejo, meu doce Tejo, corres assim,
corres há milénios sem te arrepender,
és a casa da água onde há poucos anos eu escolhi nascer


Six Months in a Leaky Boat
Split Enz

When I was a young boy
I wanted to sail around the world
That's the life for me, living on the sea
Spirit of a sailor, circumnavigates the globe
The lust of a pioneer, will acknowledge
No frontier
I remember you by, thunderclap in the sky
Lightning flash, tempers flare,
'round the horn if you dare

I just spent six months in a leaky boat
Lucky just to keep afloat
Aotearoa, rugged individual
Glisten like a pearl
At the bottom of the world
The tyranny of distance
Didn't stop the cavalier
So why should it stop me
I'll conquer and stay free
Ah c'mon all you lads
Let's forget and forgive
There's a world to explore
Tales to tell back on shore

I just spent six months in a leaky boat
Six months in a leaky boat

Ship-wrecked love can be cruel
Don't be fooled by her kind
There's a wind in my sails
Will protect and prevail

I just spent six months in a leaky boat
Nothing to it leaky boat.

A Teresa Salgueiro é que tem razão: “A cidade, chamam-lhe Lisboa, mas é só o rio que é verdade...”


O Natal é das crianças

O Natal há muito que assumiu uma importância especial para mim, sendo uma das poucas oportunidades por ano de reunir a família toda no mesmo sítio e conversar, comer, rir, comer, abrir prendas, comer...

Este ano ainda teve uma importância acrescida, já que não só me permitiu matar saudades do pessoal todo, como também nos deu a oportunidade de ver a Carolina abrir prendas pela primeira vez. Quis o destino que a moça não aguentasse a noitada e adormecesse às 9:30 da noite, o que levou a que se regressasse à velhinha tradição de abrir as prendas na manhã do dia de natal (excepto para quem ficou acordado, já que os adultos são piores que as crianças).
Foi giro ver a reacção da pequenina, embora ainda não entenda muito bem o que se está a passar. Sobretudo, para ela, o Natal foi uma oportunidade para fazer amigos novos (o Pai Natal, a quem dá um beijinho sempre que o vê – quer seja num livro ou em boneco-, cá para mim é tentativa de suborno), brincar com as primas, ver árvores de natal, e receber muitas prendinhas!
















Sunday, December 17, 2006

A vingança da Tânia

Como as partidas nunca morrem no dia em que as fazemos, e a represália está sempre ao virar da esquina, a Tânia decidiu vingar-se do que eu lhe tinha feito quando fui a Lisboa de surpresa, para brindar-me com uma prenda de boas vindas. Mal cheguei a casa fui ordenado a fazer uma mala de viagem, pois iríamos para outro sítio...

Malas feitas, carro a andar, acabámos no Hotel do Mar em Sesimbra (um favorito). De facto a Tânia está de parabéns: é um dos meus sítios preferidos para retemperar forças e para a reflexão. A vista do mar é verdadeiramente deslumbrante como podem constatar pelas fotos. O artista é o do costume!



Chegada a Portugal

Como não podia deixar de ser, a minha chegada a Portugal teve o seu “quê” de delicioso, rocambolesco, e hilariante, o que vai ajudando este blog a ter interesse...

Quis o destino que a minha chegada ao magnífico aeroporto da Portela coincidisse com um período de caos absoluto em diversos aeroportos europeus, que levou a bagagens perdidas e todos os transtornos habituais. Quis também o destino que o voo que utilizou o tapete para o qual a minha bagagem iria antes do meu voo ter chegado tivesse aterrado na Portela sem bagagem! Estão a imaginar o caos??? Não, não estão! Eu próprio nunca sonhei que assistiria a uma cena daquelas.

Basicamente, um bom do emigrante Tuga (tipo bigode farfalhudo), em vez de se dirigir ao balcão das reclamações sozinho, e depois desamparar a loja (ou melhor dizendo, o tapete, o aeroporto, etc.), optou por uma solução bem mais inteligente: toca de levar a família toda e montar acampamento (tipo de cigano) junto ao tapete (não fossem as malas serem teletransportadas pelo Harry Potter) e à porta do balcão de reclamações. O resultado prático foi que, quando desci para a recolha de bagagem, deparei-me com centenas de pessoas de volta do “meu” tapete, aos berros, a cheirar mal, exaltadas, enfim, o Jardim Zoológico de Lisboa em pleno aeroporto. Ainda pensei em perguntar àquela malta porque carga de água não faziam o habitual (ir para casa e esperar que a companhia lhes ligasse a dizer que podiam ir levantar as malas), mas pensei que por razões de segurança pessoal não valia a pena pregar aos peixes...

Mas o melhor ainda estava para vir... Quando o tapete começou a rolar, trazendo as malas do voo da airfrance que havia transportado desde Paris, aquela colecção de seres irracionais começou a “atacar” as malas (não fosse o Harry Potter ter prestado um serviço à TAP) para ver se eram as deles... Melhor ainda, houve vários seres que, possuídos pelo demónio do viajante desesperado, dirigiram-se a desgraçados que tinham tirado as suas malas do tapete e tiraram-lhes as malas das mãos para certificarem-se que ninguém estava a levar a mala errada por engano! Verdadeiramente maravilhoso!

Mas o melhor momento estava para vir: o reencontro com as minhas duas macaquinhas! A Carolina teve uma reacção gira: depois de vir para o meu colo, olhou para mim fixamente durante um minuto (a Tânia diz, e provavelmente com razão, que ela estava a estranhar o facto do pai não lhe ter aparecido dentro de um ecrã de computador, como é hábito). Passado o momento de reflexão, fez questão de mostrar-me as decorações de natal do aeroporto, apontando e dizendo “ah!”.

Esta fotografia, embora tirada uns dias depois, demonstra bem a alegria de toda a família, finalmente reunida de novo.

Friday, December 15, 2006

Regresso a casa!!!

Hoje de manhã quando acordei parecia um puto em vésperas de natal... nervoso, a contar as horas, a olhar para o relógio de cinco em cinco minutos... o tempo nunca mais passa! Tick tack, tick tack... porra!

Nunca mais chegavam as 10 da noite, hora aproximada do meu voo de regresso a casa, para junto das minhas meninas. Diga-se de passagem que as 10 da noite eram só o começo da aventura... É que, se viajar da Europa para Houston tem a vantagem de se roubar 6 horas ao tempo, e aterrar mais cedo do que seria no ponto de partida, a viagem de Houston para a Europa é mais frustrante! Na prática, ia sair de Houston às 10 da noite e, devido ao avanço nos fusos horários, iria aterrar em Paris, não 10 horas depois, mas sim 16 horas... o que queria dizer que, na prática, só estaria em Portugal cerca de 18 horas depois de ter saído daqui! Na verdade não é assim (o tempo de viagem é o mesmo), mas o efeito psicológico é devastador, sobretudo quando se está a morrer de saudades da família!

Do dia em concreto, pouco me lembro. Sei que comi uma trampa qualquer à pressa para ver se não perdia tempo e conseguia despachar o trabalho todo antes de fugir, sei que recebi uma chamada idiotica do meu antecessor (que queria falar de Houston e saídas à noite... tipo Gato Fedorento – “sabes onde é que há gajas boas...”). Lembro-me de fugir do escritório a correr, de ir a casa tomar banho e mudar de roupa, de pegar nas malas, enfiá-las no carro, e fazer-me à auto-estrada a caminho do aeroporto. Lembro-me do desespero de ter apanhado o trânsito todo do pessoal a fugir para Norte ao fim de semana(trânsito a sério), lembro-me de ter recordado os Dire Straits (“six lanes of traffic, three lanes moving slow...”), lembro-me de me ter rido, encolhido os ombros e relaxado... Conduzir no Texas tem destas coisas, 4 faixas de auto-estrada, e os gajos todos a andarem à mesma velocidade, se queres ultrapassar, azar! É mesmo assim, não vale a pena perder a paciência... Também me lembro de ter feito contas à gasolina (era suposto entregar o carro com o depósito vazio) e de ter stressado os últimos 10 quilómetros convencido que não ia chegar ao aeroporto... Mas cheguei, entreguei o carro, e fiz o check in!

Só me faltou o rádio a tocar a música pimba (género “ai meu lindo agosto” e “vai com cuidado emigrante”) para me sentir o verdadeiro emigra a regressar a casa. Isso e a possibilidade de conduzir do Texas até Portugal, de preferência a 200 km/h num mercedes alugado e sem dormir!

O controle de segurança correu da forma patética do costume, com os mesmos gritos, creme, líquidos para aqui, sapatos para ali... cheiro a queijo dos pés do povo todo... Mas desta vez tive direito a brinde: o placard dos avisos dizia “The US State Department warns that the Port-au-Prince airport in Haiti does not comply with the minimum air safety requirements!” Lindo! Mais uma pérola… e eu que queria tanto ir passar férias ao Haiti... praias paradisíacas, galinhas decapitadas, voodoo, massacres... ainda pensei mudar de destino e optar por um natal tropical... Eu cada vez mais acho que há um gajo na segurança do aeroporto que se diverte todos os dias a inventar sítios “interessantes” para pôr nos avisos! Parece que não fui o único, já que um senhor inglês que estava atrás de mim soltou uma sonora gargalhada e começou a gozar com a mulher quando viu o cartaz... quem não achou muita piada foram os guardas do aeroporto! Azar, é o humor britânico, quem gosta, gosta; quem não gosta, gostasse!

Quanto à viagem em si: Mahjong, leitura, mahjong, Sudoku, leitura, mahjong, dormida, mahjong... e dois seres solitários (masculino e feminino), de proporções enormes (ele de altura, ela de largura), que se entreteram o caminho todo a falar dos medos de voar e a olhar para o maluco do lado que, no seu lugar à janela (como não podia deixar de ser), jogava mahjong e ria-se sozinho...

Tuesday, December 12, 2006

Mais aventuras no mundo da arte...



Aventuras no mundo da arte...

Como já certamente saberão, para passar o meu tempo aos fins de semana, tenho-me dedicado a várias actividades mais ou menos úteis, entre as quais, uma tentativa de fazer "arte" através de fotografia a preto e branco. Diga-se de passagem, que tenho uma ideia muito reduzida do que ando a fazer... têm sido, sobretudo, experiências. Deixo aqui alguns exemplares para a vossa crítica, sugestões, etc.






Friday, December 08, 2006

É NATALI!!!

Luzes e luzinhas... a cidade está cheia de luzes e luzinhas! Não fosse natal, “the season to be jolly, la, la, la, la, la...”

Como tudo neste cantinho do mundo, as coisas vão surgindo devagarinho... Os mais atentos vão detectando os primeiros sinais (no meu caso o enrolar de luzinhas pequeninas à volta das árvores no parque em frente à Câmara Municipal), depois, de um dia para o outro, ZÁS! Já está, a cidade parece uma árvore de natal!

Eu já tinha reparado nas tais luzinhas nas árvores, nos veados iluminados em frente ao prédio do escritório, nas árvores de natal gigantes e nas coroas, nas casas decoradas com mil e uma luzes nos jardins, a fazer lembrar as casas mais bimbas de Portugal (aliás, é ao contrário, são as casas bimbas de Portugal que imitam as casas bimbas americanas!), mas nada me podia preparar para o que encontrei esta noite quando saí do elevador do escritório... Mal se abriram as portas ouvi um som estridente de vozes alemãs a cantar aquelas músicas típicas dos alpes (“yodles”)! Como quando as coisas estão más, só podem piorar (lei de Murphy), deparei-me com um sem número de rapazes, raparigas e adultos, loiros, vestidos com calções, suspensórios, e outras roupas igualmente ridículas, a dançarem de forma a tocar com as mãos nos pés enquanto gritavam “ololé, ololé, ololé, iu...”

Por momentos tive a sensação que estávamos a ser invadidos pelos alemães que tinham vindo reclamar o Texas, depois de terem sido praticamente os responsáveis por terem roubado o território aos mexicanos (a lição de história completa fica para outra ocasião)! ACHTUNG DEUTSCHLAND! Até me atirei para o chão e pedi reforços ao exército! Depois lembrei-me de ter visto qualquer coisa sobre a reconstituição de um natal alemão num cartaz qualquer. Também me lembrei de ter visto uns senhores de manhã e à hora do almoço a montar umas casinhas tipo “casinhas dos alpes”.

Lá no fundo, tive pena de estar com pressa e não ter tido tempo para investigar mais (poderia até ter ganho uma medalha do Congresso por serviços de contra-espionagem!). Fui a rir-me o caminho todo... Só os americanos para em meia dúzia de horas converterem o hall de entrada de um edifício em aldeia alemã...

O mais impressionante é que, no dia seguinte de manhã, quando ia investigar melhor, tinha tudo desaparecido! O edifício estava tal e qual tinha estado nos dias anteriores...

Terá sido um sonho? Terá sido uma tentativa de invasão falhada e abafada? Certamente é um caso para os X-FILES!!! Mulder...